A piometra é considerada a doença uterina (uteropatia) mais frequente em cadelas não castradas e pode ser potencialmente fatal se não for tratada a tempo. Trata-se de um processo inflamatório caracterizado pelo acúmulo de secreção purulenta (pus) no lúmen uterino, ou seja, na cavidade interna do útero.
Entender como essa infecção bacteriana ocorre e saber identificar os primeiros sinais é fundamental para garantir a sobrevivência e a recuperação do animal.
Causas da Piometra
A piometra está diretamente relacionada à função hormonal e às mudanças que ocorrem durante o ciclo estral (cio) da cadela. Quando o útero se prepara para uma possível gravidez e ela não ocorre, o órgão deveria retornar ao seu estado normal. No entanto, algumas alterações podem desencadear a doença:
- Alterações Hormonais:
O aumento do estrógeno nas fases de proestro e estro aumenta o número de receptores de progesterona no útero. Esse processo dilata a cérvix uterina (canal de ligação com a vagina), permitindo a entrada de microrganismos, além de diminuir a imunidade local, o que predispõe o órgão a infecções. - Hiperplasia Endometrial Cística:
É o espessamento do tecido que reveste o útero (endométrio) somado à formação de pequenos cistos. Esse ambiente se torna um terreno fértil para a proliferação excessiva de bactérias. - Pseudociese (Gravidez Psicológica):
A resposta prolongada à progesterona pode causar a gravidez psicológica, condição que também estimula o desenvolvimento da piometra.
Tipos de Piometra e Sinais Clínicos
A piometra costuma se manifestar de 30 a 60 dias após o cio
e pode se apresentar de duas formas anatômicas:
e pode se apresentar de duas formas anatômicas:
- Piometra Aberta:
A cérvix permanece aberta, permitindo que o tutor note um corrimento vulvovaginal mucopurulento (pus). - Piometra Fechada:
A cérvix se fecha, impedindo o extravasamento do pus. O útero fica extremamente dilatado (podendo passar da espessura de uma caneta para mais de 2 cm) e com as paredes finas, correndo o risco de se romper e vazar o conteúdo infeccioso para a cavidade abdominal.
À medida que a doença progride, a infecção pode se tornar generalizada e levar a cadela a óbito. Os principais sinais clínicos
que os tutores devem observar incluem:
que os tutores devem observar incluem:
- Corrimento vaginal (apenas na piometra aberta).
- Polidipsia (sede excessiva) e Poliúria (aumento da urina).
- Febre, letargia (preguiça e falta de energia) e depressão.
- Anorexia (falta de apetite), vômito e diarreia.
- Distensão abdominal.
- Em casos graves: desidratação, toxemia (intoxicação), choque e hipotermia.
Como é Feito o Diagnóstico?
Ao notar qualquer sintoma, o animal deve ser levado ao veterinário imediatamente. O diagnóstico baseia-se em:
- Anamnese e Exame Físico:
O veterinário inspecionará possíveis descargas vaginais, grau de desidratação e fará a palpação para checar o aumento do volume uterino. - Ultrassom:
Exame de imagem essencial para visualizar o conteúdo purulento retido e o aumento das glândulas endometriais. - Exames Sistêmicos:
Como a piometra compromete todo o organismo, são solicitados exames gerais como hemograma, avaliação da função renal e hepática, além de urinálise.
Tratamento
O tratamento definitivo e mais seguro para a piometra é a cirurgia de
ovário-histerectomia
(castração), que consiste na remoção completa do útero infeccionado e dos ovários.
ovário-histerectomia
(castração), que consiste na remoção completa do útero infeccionado e dos ovários.
Em abordagens medicamentosas específicas, o médico veterinário pode utilizar prostaglandinas para promover a luteólise (quebra do corpo lúteo que produz a progesterona), cortando o estímulo hormonal que favorece a infecção.
Prevenção
A única forma de prevenção efetiva contra a piometra é a
esterilização cirúrgica precoce (castração)
da cadela, que pode ser realizada a partir dos seis meses de idade.
esterilização cirúrgica precoce (castração)
da cadela, que pode ser realizada a partir dos seis meses de idade.
Além de reduzir significativamente o risco de desenvolvimento da piometra, a castração precoce previne outras doenças do sistema reprodutivo e diminui drasticamente a incidência de câncer de mama nas fêmeas. Fique sempre atento aos sinais pós-cio e priorize a castração preventiva para garantir a longevidade da sua cadela!