Quem nunca se desesperou com os dentinhos afiados de um filhote? Embora pareça apenas uma fase chata, se esse comportamento não for corrigido agora, os “dentinhos” virarão “dentões” e o problema persistirá na vida adulta.
Segundo a especialista em comportamento canino Halina Medina, morder é algo natural e esperado em quase 100% dos filhotes. É através da boca que eles exploram o mundo, semelhante à fase oral dos bebês humanos. O segredo não é reprimir o instinto, mas sim ensinar o que pode ser mordido.
Guia prático para salvar suas mãos e educar seu pet
1. Prevenção: o segredo está na rotina
Muitas vezes, o ataque de mordidas acontece porque o filhote está com alguma necessidade não atendida. Filhotes tendem a morder mais quando estão cansados, com fome ou apertados para ir ao banheiro.
Dica de ouro:
Não hiperestimule o cachorro o dia todo. Garanta pausas para descanso, alimentação adequada e leve-o ao tapetinho higiênico. Se ele estiver saciado e descansado, a probabilidade de ataques de mordidas diminui drasticamente.
2. O erro nº 1: mãos não são brinquedos
O maior erro dos tutores é brincar de “lutinha” com as mãos, balançando-as na frente do focinho do cão. Isso ensina ao filhote que sua mão é uma presa divertida.
Regra:
Nunca use suas mãos para brincar. Oriente todos na casa a não estimularem o cão dessa forma.
3. Redirecionamento e brincadeiras certas
Você precisa mostrar ao cão o que ele pode morder. Entenda a genética do seu cachorro: raças como Terriers ou Bulldogs podem gostar de cabo de guerra; cães de pastoreio tendem a preferir brincadeiras de perseguição.
Brincadeira do “Rolinho”:
Use uma toalha ou pano enrolado (comprido o suficiente para manter sua mão longe) e arraste pelo chão para ele perseguir.
Farejamento:
Esconda petiscos em uma manta ou caminha cheia de dobras. Isso acalma o cão e permite que suas mãos fiquem perto sem serem o alvo.
4. O que fazer na hora da mordida?
Se, mesmo assim, o dente encostar na sua pele, sua reação deve ser imediata:
- Fique imóvel: pare a brincadeira na hora. Não grite e não empurre (isso pode ser interpretado como brincadeira ou gerar medo).
- “Gelo” de atenção: se ele continuar, levante-se, vire de costas ou saia do ambiente por um minuto. O cão precisa entender a regra: dente na pele = a diversão acaba.
- Timing perfeito: a interrupção deve ocorrer no exato momento em que a mordida acontece para que ele faça a associação correta.
5. Ensinando a gostar de carinho
Muitos filhotes mordem quando vamos fazer carinho porque não sabem lidar com o toque ou acham que é brincadeira. O ideal é dessensibilizar o contato:
- Ofereça um brinquedo ou petisco com uma mão.
- Com a outra, faça um carinho rápido (1 segundo) e recompense.
- Aumente o tempo gradativamente.
Isso ensina que mãos humanas trazem coisas boas e afeto, não guerra.
Atenção com crianças:
Crianças nunca devem ficar sozinhas com o filhote. Elas devem sempre ter um brinquedo na mão para interagir, evitando que se tornem o alvo das mordidas.